quinta-feira, 13 de abril de 2017

227

Depois que você se foi, meu caderno de poesias nunca mais esteve vazio . . .

226

É com o olhar cansado e fora de mim que percebo a ocupação daquela por quem o peito sustenta as dores de uma juventude senil. Sei que depois de uma noite não me notarás; e é melhor que seja assim.

225

Eu a vi mais de uma vez lançar-se ao chão. No piso. No asfalto. Na grama. Eu a vi lançar-se em braços, em pele... em pêlo. Eu a vi de longe, a lançar-se fora do meu alcance, aonde eu jamais iria querer encontrar. Ainda assim a senti lançar-se em mim. Me queimava a pele... o pêlo. Ardia em brasa a mulher que na verdade era líquido. E foi quando a vi escoar por entre maus braços sem que agora eu possa voltar a querer encher de ti novamente o copo. Meu copo, meu corpo... que há de permanecer vazio.

224

Eu vivo buscando sua atenção. Compartilhando olhares e mensagens que só fazem sentido na minha cabeça. Eu vivo lutando contra o desejo de te chamar diretamente e despertar tal entusiasmo que a não muito tempo lhe dedico. ´! foda! E toda vez que repouso o olhar - sempre demoradamente - sob qualquer das tuas atividades diárias me toma o receio de não ser como careces; de não ser como e o que espera. Tomar conta de longe é o pior de todos os vícios.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

223

Na sala ao lado jaz, fria como a manhã, uma garota morta. Tudo bem, confesso, ela não está realmente morta: ela morreu em mim. Algumas vezes, geralmente ao alvorecer, levanta-se de seu repouso eterno e me atormenta com seus movimentos mórbidos. Frios e mórbidos como the dance of death. A garota de morte, que por tantas vezes me matou aos poucos pra depois me reerguer. Faça o favor a si e a mim de permanecer calada assim: morta. Visto que morro toda vez que te insiste em acordar.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

222

Pobre de ti, óh rapaz que faz glória das belezas de tua alma. Quê são as amarras de tua virtude diante dos traços longínquos do corpo da mulher desejada?

221

A mudança. Há mudança. Ah!! mudança.
Se tudo muda, por que permanecer calada? Imóvel assim: muda. Se tem de mudar, mude. Enquanto muda: espero. Se tudo muda, há esperança.